sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Dia do Samba/Pagode


Hoje, dia 2 de dezembro, comemora-se o dia do Samba.
Tenho imensa satisfação em dizer que faço parte deste estilo fantástico que encanta milhões de adeptos no Brasil e fora dele. Como integrante de um grupo de pagode -Toca do Pagode - formado há 15 anos, já respondi por diversas vezes a seguinte pergunta: “mas samba e pagode são a mesma coisa?” Em todas às vezes, respondi que sim. Aliás, pagode não é um estilo musical, mas sim, um nome que era dado às festas realizadas nas senzalas. Com isso, o nome pagode tornou-se sinônimo de festa com muita alegria e cantoria.

Recentemente assisti a uma entrevista do vocalista Péricles do Exaltasamba concedida para a excelente jornalista Marília Gabriela, em que o cantor explicou exatamente isso: “samba e pagode são a mesma coisa”.

Na verdade, o que muitos – sem conhecimento musical - pensam é que o “samba” envolve artistas como Demônios da Garoa, Beth Carvalho, Jorge Aragão, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, entre outros, e o “pagode” reúne nomes como Grupo Pixote, Exaltasamba, Inimigos da HP, Jeito Moleque, Raça Negra, entre tantos que fazem sucesso.

É claro que tem os bons e os ruins. Em minha opinião, alguns grupos novos partiram para uma proposta mais comercial e deixaram de lado a importância da qualidade da letra e da melodia. No entanto, não se deve generalizar. É preciso ouvir cada um, para, aí sim, emitir uma opinião concreta. Caso contrário acaba virando preconceito.

Veja bem uma curiosidade em que o nome não tem nada a ver: o Exaltasamba executa o “pagode” e o Zeca Pagodinho o “samba”?

O grupo de qual faço parte - Toca do Pagode - interpreta todos estes artistas, porém, em certas ocasiões, acaba sendo “barrado” de alguns tipos de evento, principalmente àqueles onde existe uma grande concentração dos que se dizem e se acham “intelectuais da música”.

Infelizmente, a palavra “pagode” é alvo de muito preconceito. Já ouvi até dizer que onde tem pagode só tem “preto” e “pobre”. E, isso não é brincadeira. É a realidade.

Vivi um exemplo claro com a produção do show “Tributo a Simonal”, apresentado em outubro deste ano no Theatro Municipal de São João da Boa Vista. Na ocasião, para realizar a apresentação tive que preencher uma ficha de inscrição que foi encaminhada a São Paulo para a Secretaria da Cultura, usando apenas “Grupo Toca”, excluindo parte do nome, que seria “Toca do Pagode”. Se tivesse enviado o nome correto, certamente a apresentação não ocorreria. Um verdadeiro absurdo!

Se fosse “Toca do Samba”, que não muda absolutamente nada na estrutura musical do grupo, nem precisaria fazer a alteração. Mesmo assim, o grupo venceu a “batalha” e conseguiu fazer uma boa apresentação. Seria até falta de modéstia de minha parte fazer o comentário do show. Por isso, recomendo que quem queira saber detalhes daquela apresentação, que pergunte aos que foram no Theatro Municipal na noite de 1º de outubro.

E viva o Samba/Pagode!

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