domingo, 27 de fevereiro de 2011

Associação dos Amigos do Clube Luiz Gama

                                 

Membros do Grupo União e Mudança Ayô, durante reunião sobre o Luiz Gama


Noite de expectativa: membros da Ong União e Mudança Ayô, estarão na Câmara Municipal, nesta segunda-feira (28), às 20h, para o acompanhamento da sessão ordinária, em que deverá ser votado o documento que autoriza o funcionamento da Associação dos Amigos do Clube Luiz Gama. A decisão é aguardada com ansiedade e, por isso, espera se que o auditório receba um público considerável no momento da votação. Ao que tudo indica, os vereadores deverão aprovar o documento. Mas, é bom aguardar pelo resultado.

A presidente da Associação, Dulcinéia Xavier, espera que toda a comunidade negra, em especial, esteja no Legislativo Municipal, nesta data importante.

O Clube Luis Gama foi fundado na década de 1940, com o objetivo de reunir pessoas da raça negra, que na época, eram vítimas de preconceito e, impedidas de freqüentar outros clubes da cidade. Tempos difíceis, como relatam muitos negros que sentiram na pele a dor da discriminação. Foi à segunda entidade social e recreativa de São João da Boa Vista. Um local com muitas histórias marcantes. No entanto, com o passar dos anos, tudo acabou se perdendo devido às más administrações.
Recentemente, em 2009, o clube chegou a ser leiloado porque não pagou uma dívida de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) no valor de R$ 11.000,00 (onze mil reais). O leilão, realizado com pouca divulgação, aconteceu no dia 7 de maio de 2009, data em que o clube acabou arrematado por dois compradores: o comerciante Tales Alexandre Fracari e o bioquímico Wesley Santos. O valor do arremate atingiu a marca dos R$ 165.000,00 (cento e sessenta e cinco mil reais).
O leilão causou revolta na comunidade negra, principalmente, aquelas pessoas que viveram o auge do clube.
O prefeito Nelson Nicolau afirmou que o leilão poderia ter sido evitado, caso o presidente do Luiz Gama, José Roberto Tomé, consultasse a Prefeitura para uma negociação de valores. Não que a dívida pudesse ser perdoada porque, neste caso, o prefeito poderia cometer, perante o Tribunal de Contas, crime administrativo. No entanto uma decisão foi tomada. Devido à comunidade negra ter sido “pega de surpresa” com a venda do clube, e pressionado as autoridades municipais para que algo fosse feito, o prefeito Nelson Nicolau emitiu uma ordem de serviço com pedido de desapropriação do prédio do Luiz Gama.
“Solicito estudos para as necessárias providências a fim de efetivar-se a desapropriação do prédio onde funcionava a sede do clube Luis Gama, para a sua incorporação ao patrimônio do município. Com a medida, o local passaria a ser utilizado para executar projetos e ações voltadas à comunidade negra”.
Várias reuniões foram realizadas com os membros de dois grupos da cidade: União e Mudança Ayô e Proteia.
Caso seja aprovada a Associação, a comunidade não vê à hora de ver o prédio localizado à Rua General Osório voltar com força total e com diversas atividades culturais.

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