terça-feira, 11 de agosto de 2009

Preconceito musical ?

Apoio: cinco letras que formam uma palavra considerada difícil de ser encontrada no dicionário musical dos artistas de São João da Boa Vista. Exceto, os considerados da “panelinha”. Dia desses, fomos ao departamento de cultura, com o intuito de solicitar uma data de show na Praça Coronel Joaquim José, para o grupo Toca do Pagode, e tivemos uma decepção. Na verdade foi literalmente um “balde de água fria”. A banda “Dona Gabriela”, tradicional da cidade, é quem se apresenta nas noites de domingo, no espaço que recebe o nome de “Fonteatro Emílio Caslini”. Ali, pelo menos uma vez por mês, os competentes músicos da banda Dona Gabriela recebem as merecidas folgas. Quando isso ocorre, outras bandas populares são quem ocupam o espaço. No entanto, em contato com o departamento de cultura, tínhamos grande expectativa de receber um “sim”, para que pudéssemos mostrar nosso trabalho em praça pública. Nem que fosse para esperarmos meses, mas pelo menos ficaríamos satisfeitos. Afinal, domingo à noite é sinônimo de “casa cheia”. O que mais nos surpreendeu foi a resposta dada no momento em que pedimos uma data para nos apresentar: - “vocês tocam forró?” disse a diretora. Atônitos, achamos que pudesse ser uma brincadeira para descontrair o ambiente, e, então começamos a rir. Mas ela nos disse novamente, e com ênfase, que a prioridade de apresentação na Praça Coronel Joaquim José, é para bandas ou grupos que tocam forró ou música sertaneja. Percebemos que não é que ela [diretora] não queira, mas, está dando prioridade para a minoria. Ou você acha que a cidade inteira não gosta de outros estilos na praça?
Indignados com a situação, nós a questionamos. Em vão. Segundo ela, seria uma exigência de pessoas mais idosas que não apreciam estilos como: pagode, pop rock, axé, enfim. A afirmação é de que os “velhinhos” (com todo respeito) gostam mesmo de balançar o corpo apenas ao som do forró. Inclusive eles teriam feito até um abaixo assinado reivindicando somente forró nas noites de domingo.
Tudo bem, sem problemas. Quer dizer, mas saímos chateados. Porém, a pergunta que não pode deixar de ser feita é a seguinte: “não seria ‘preconceito musical’, uma banda, seja lá qual for o estilo ter que mudar de característica apenas para poder se apresentar em um determinado local? Onde ficaria a identidade da banda? Já imaginou os fãs da banda Roupa Nova, por exemplo, lotar uma casa de shows e, de repente os músicos começarem a tocar o ritmo de baião, frevo ou xote ( aliás, ritmos fantásticos e maravilhosos)? Claro que ninguém iria gostar, porque não se trata da tradição musical deles.
Portanto, fica o apelo aqui. Nós pedimos para que as autoridades revejam esses pensamentos arcaicos. Afinal, a praça é nossa (povo), e não apenas de quem se acha dono dela.

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